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18/12/2008 - Aquecimento global pode resultar em mais 600 milhões de famintos

As mudanças climáticas podem fazer explodir o número de famintos no mundo nas próximas décadas e promover uma revolução na geografia da produção mundial de grãos e alimentos. A ONU estima que o aquecimento do planeta geraria 600 milhões de novos famintos até 2080, além dos quase 1 bilhão que já sofrem hoje com a baixa nutrição. Enquanto a população mundial promete crescer 30% até 2080, a produção agrícola pode sofrer uma queda de até 16%. No Brasil, a previsão é de uma queda de até 17% na produção.
O alerta faz parte de um levantamento feito pelo Peterson Institute, um dos mais reconhecidos internacionalmente por seus estudos sobre o comércio mundial. O estudo foi considerado como a base de um relatório divulgado ontem pela ONU sobre os riscos para a agricultura nas próximas décadas. "A maior ameaça no campo hoje é a degradação ambiental e as mudanças climáticas", afirmou Olivier de Schutter, relator da ONU contra a fome.
Segundo o levantamento, os países em desenvolvimento sofrerão queda que irá variar entre 10% e 25% em sua produtividade até 2080. No mundo, a queda de produção será de 3% a 16%. O principal motivo seria o aquecimento do planeta e a mudança nos regimes das chuvas. A desertificação seria um dos motivos. Na Índia, a queda da produção agrícola pode chegar a 40%. "Alguns países pequemos podem ter colapso na produção", afirma o estudo. No Sudão, a queda de produção seria de 56%, contra 52% no Senegal.
O levantamento estima que a produção no Brasil também sofrerá com as mudanças climáticas e que o País considerado como celeiro do mundo pode perder esse título. No geral, a produção brasileira poderia cair entre 4% e 17% até 2080.
A região mais afetada seria a da Amazônia, com queda de produção variando entre 16% a 27%. No Nordeste, a queda seria de 7% a 19%. Já nos Estado do Sul, a redução seria menor, variando entre 3% e 16%. Já nos países ricos, a produção pode até aumentar diante das temperaturas mais moderadas no Hemisfério Norte. Mas não seriam capazes de compensar a perda de produção dos emergentes. Em algumas regiões dos Estados Unidos, o impacto poderia ser tão duro como nas regiões tropicais. No sudeste dos Estados Unidos, a queda pode chegar a 35%. Para especialistas, o temor é de que as mudanças climáticas possam de fato gerar um número ainda maior de famintos. Hoje, 963 milhões de pessoas são consideradas mal-nutridas, um a cada seis habitantes do planeta.
A Gazeta de Cuiabá

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